Cinco benefícios da Acupuntura na gravidez

Atualizado: 13 de Dez de 2020


Imagem: Li Zijian, Gestação


A Acupuntura é um método terapêutico não farmacológico que, assim, permite evitar o uso de medicações e seus potenciais efeitos adversos. Isso é especialmente importante durante a gestação, momento delicado em que nos preocupamos com a saúde tanto da mãe como do bebê. No entanto, sempre houve certo receio em usar a Acupuntura nessa fase porque a Medicina Tradicional Chinesa, historicamente, menciona “pontos proibidos” – isto é, pontos de Acupuntura que seriam contraindicados na gravidez, em geral por causa de um aumento no risco de parto prematuro.


Hoje em dia, sabemos que não existem evidências que suportem essa ideia, e a Acupuntura é considerada um método seguro e efetivo para diversas situações relacionadas à gravidez. Ela pode ser usada também no planejamento concepcional, por potencialmente aumentar a taxa de sucesso tanto da gravidez natural como da inseminação artificial e da fertilização in vitro, e no período pós-parto. Neste artigo, falarei das principais indicações para o uso da Acupuntura na gestação.




1. Controle de náuseas e vômitos


Um dos principais motivos para a crescente aceitação da Acupuntura pela Medicina Ocidental são trabalhos que mostram sua efetividade no tratamento de náuseas e vômitos. Embora a maioria desses trabalhos tenha focado nos quadros induzidos por quimioterapia ou relacionados ao pós-operatório, existem evidências de efetividade também para aqueles ligados à gravidez, desde o enjoo matinal até a hiperêmese gravídica (quadro mais grave que pode necessitar de hospitalização).


Náuseas e vômitos genuinamente associados à gravidez começam no primeiro trimestre e são causados por um aumento na subunidade beta da gonadotrofina coriônica humana (popularmente chamada apenas de beta, hormônio que é dosado para diagnóstico de gravidez). A Acupuntura traz resultados positivos principalmente nesses casos; quadros que começam após o primeiro trimestre, na prática, já não respondem tão bem.


Com o avançar da gestação, podem aparecer sintomas dispépticos (como azia e dor no estômago) relacionados ao aumento do volume abdominal e compressão dos órgãos internos. A Acupuntura também pode ser uma opção nesses casos.




2. Alívio de dores músculo-esqueléticas


Dor lombar e na cintura pélvica são queixas muito comuns das gestantes. O aumento do útero acentua a curvatura natural da coluna lombar, produzindo o que chamamos de hiperlordose fisiológica. Ao mesmo tempo, os ligamentos que unem os ossos da pelve começam a afrouxar em resposta a ação da relaxina, um dos hormônios secretados na gravidez. Além disso, o feto em crescimento pode comprimir nervos e vasos sanguíneos. A combinação desses fatores modifica o equilíbrio entre a pelve e a coluna lombar e pode produzir dor na região.


Esse desequilíbrio pode se refletir em outros locais, levando também à dor cervical e nos ombros, outras queixas frequentes durante a gestação. Em todos esses casos, a Acupuntura se mostra eficaz. Em geral, agulhamos inicialmente os pontos a distância (pontos de acupuntura distantes do local em que a paciente refere dor), o que já produz grande alívio, e por fim agulhamos pontos da própria musculatura acometida.




3. Tratamento de dores de cabeça


Assim como ocorre com a população em geral, a principal causa de dor de cabeça nas gestantes é a cefaleia tensional, seguida da enxaqueca. Durante a gravidez, a enxaqueca pode tanto melhorar como piorar, em virtude das mudanças hormonais. A Acupuntura é o único tratamento preventivo recomendado para a cefaleia tensional e uma importante opção também no tratamento preventivo da enxaqueca, que, nas gestantes, é limitado pelos efeitos adversos das medicações para o feto.




4. Analgesia durante o trabalho de parto


A Acupuntura é efetiva para melhora das dores durante o trabalho de parto, tanto de forma alternativa (quando é usada em substituição a outras medidas) como complementar (quando é usada em associação a outras medidas, como massagens e uso de analgésicos).




5. Melhora da insônia e de questões emocionais


As preocupações com o nascimento do bebê e com a maternidade, além da dificuldade em se achar uma posição confortável para dormir, podem levar a queixas importantes de insônia. Instabilidade emocional e sintomas de ansiedade também são comuns. Embora não tenhamos estudos definitivos sobre o uso da Acupuntura nessas condições, ela se coloca como uma opção importante em virtude dos possíveis riscos das medicações psiquiátricas durante a gravidez.


No caso da depressão em gestantes, já há evidências científicas da efetividade da Acupuntura, em associação aos tratamentos convencionais, nos quadros leves a moderados que não responderam a esses tratamentos. Ela também demonstrou ser efetiva quando usada isoladamente nos casos de depressão leve.

Concluindo, podemos dizer que a Acupuntura é um método não farmacológico seguro e efetivo para diversas condições comuns na gravidez. Seu uso, portanto, deve ser encorajado e discutido com o médico Obstetra e com os outros membros da equipe que acompanham a gestante.

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