Como envelhecer com a mente saudável


O cérebro - como qualquer outro órgão do nosso corpo - também envelhece. Por mais que a gente queira o contrário, não há como impedir esse processo. À medida que a idade avança, é natural que ocorra um declínio nas diferentes funções do cérebro, bem como uma diminuição na quantidade da nossa massa cerebral. Essas mudanças, em geral, não impactam na nossa funcionalidade - isto é, na nossa capacidade de executar as atividades do dia a dia (exceto as mais complexas, como dirigir) -, a não ser que haja algum fator acelerando o envelhecimento do cérebro.


Sabe-se que cerca de 60% da nossa capacidade cognitiva - o que inclui a velocidade de processamento de informações, a atenção, a memória, a linguagem e várias outras funções - podem ser determinados pela genética e, assim, não são modificáveis. No entanto, há outros elementos que influenciam essa capacidade e que podemos controlar para garantir que o envelhecimento do nosso cérebro, mesmo que inevitável, ocorra de forma saudável.


Entre esses fatores, podemos citar doenças orgânicas (como hipertensão ou diabetes), questões psicológicas (como estresse) e dificuldades na visão ou audição, que aceleram o declínio cognitivo normal. Assim, buscar tratamento para doenças já diagnosticadas, adotar um estilo de vida saudável que previna doenças e ajude a controlar o estresse e corrigir problemas de visão ou audição são estratégias fundamentais para um envelhecimento saudável.


Existe também a hipótese de que manter uma vida ativa poderia prevenir o declínio cognitivo acelerado. Essa hipótese parte de estudos que observaram que idosos com melhor desempenho cognitivo tinham um estilo de vida mais dinâmico. No entanto, ainda não se sabe o que veio primeiro: esses idosos eram mais ativos por que sua cognição estava mais saudável, ou sua cognição estava mais saudável por que eles eram mais ativos? Pelo sim, pelo não, parece ser benéfico adotar um estilo de vida ativo, até mesmo pela possibilidade de, assim, prevenirmos doenças como as cardiovasculares. Algumas atividades associadas nos estudos a esse estilo de vida incluem:


Atividades intelectuais

  • Quebra-cabeças, jogos de tabuleiro, grupos de discussão, ler, usar o computador, tocar instrumentos musicais

  • Profissões que envolvem tarefas mais complexas

  • Alto nível educacional

Atividades físicas

  • Exercícios, especialmente os que melhoram a saúde cardiovascular

  • Jardinagem

  • Dança

Atividades sociais

  • Viagens, eventos culturais

  • Socializar com família e amigos


Uma outra hipótese é a da reserva cognitiva. De acordo com ela, um maior nível educacional, participação em certas atividades, melhores condições socioeconômicas e nossa inteligência basal fariam com que mais áreas do cérebro fossem recrutadas para uma tarefa - o que conhecemos como plasticidade cerebral. Assim, quando houvesse um dano ao nosso cérebro, ainda haveria outras áreas capazes de executar as mesmas funções da região afetada. É como se o dano fosse compensado com a ativação de circuitos alternativos de neurônios, evitando que ele se manifeste como sintomas de uma doença, por exemplo. A hipótese da reserva cognitiva justifica a importância de garantirmos um bom nível educacional e socioeconômico a toda a população.


Finalmente, estudos têm mostrado que o treinamento cognitivo pode levar a um menor declínio na capacidade de executar as atividades do dia a dia. Nesse treinamento, são ensinadas estratégias para melhorar a memória, o raciocínio e a velocidade de processamento de informações. Assim, pode ser possível usar o treinamento cognitivo para minimizar os efeitos da idade sobre o cérebro.


É importante lembrar, como já dito, que o envelhecimento cerebral normal não costuma afetar nossas funções diárias. Assim, se você ou alguém de sua família tem apresentado problemas para executar tarefas que antes eram realizadas sem dificuldade - como usar o telefone, fazer compras ou preparar uma refeição - é importante buscar uma avaliação profissional.

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