O que dizer a alguém numa crise de ansiedade ou num ataque de pânico?

Atualizado: Ago 30


Todo mundo experimenta algum grau de ansiedade no dia a dia, e isso não é necessariamente um problema. Ela nos ajuda a evitar o perigo e ter sucesso numa determinada tarefa, por exemplo. Mas a ansiedade também pode se tornar preocupante, inclusive para quem tem uma pessoa próxima nessa situação.


Dizer “não se preocupe” pode parecer útil, mas, na verdade, não é um bom conselho para alguém que esteja sofrendo com ansiedade grave. Embora haja diferentes transtornos de ansiedade e nenhum roteiro sirva para todo mundo, algumas palavras de apoio podem ajudar.




“Tente se lembrar de outra vez em que as coisas não foram tão bem”


Num momento de ansiedade, as pessoas usualmente se preocupam com o que pode acontecer no futuro. Por isso, é recomendável iniciar uma conversa construtiva, no sentido de ajudar a lidar com essas preocupações. Pode-se pedir que a outra pessoa dê um exemplo de quando as coisas deram errado e, depois de ouvi-la, perguntar o que poderia ser feito para mudar o resultado. Assim, você acolhe o outro e o ajuda a processar o que está acontecendo.




Dê incentivo


Depois de conversar sobre momentos em que as coisas não foram tão bem, é importante considerar o que a outra pessoa já fez que deu certo e fortalecê-la. Pode-se perguntar: “Em quais ocasiões você agiu assim, e foi algo que funcionou para você? O que você fez então que poderia dar certo de novo?”.




Ofereça ajuda de forma útil


Quando as pessoas estão em tratamento para transtornos mentais, o Psiquiatra ou o Psicólogo muitas vezes lhes dão “tarefas de casa”, ou orientam estratégias de enfrentamento para ajudá-las a controlar sua ansiedade. Pode ser algo como a técnica da respiração profunda, por exemplo. Você pode então ajudar o outro a focar nessas estratégias: “Estou aqui com você. O que seu terapeuta disse para você fazer em momentos como este?”. Ofereça suporte e redirecionamento.




Compartilhe suas experiências


Se você já lidou com a ansiedade antes, pode se sentir confortável em dividir sua experiência e suas próprias estratégias de enfrentamento com aqueles que são importantes para você. Esse compartilhamento mostra confiança e torna as pessoas mais próximas.


No entanto, é importante tomar cuidado para não minimizar o sofrimento do outro. Em vez de dizer “você não deve se sentir assim” ou “você deve esquecer suas preocupações”, pode-se dizer “isto é o que aprendi com minha própria experiência”, deixando claro que é o que foi útil para você (e que pode ou não fazer sentido para o outro).




“De que você precisa?”


Se você está preocupado com alguém que costuma ter ataques de pânico, pode ser útil perguntar a essa pessoa o que a ajudaria, antes que um ataque aconteça. Isso muitas vezes requer do outro um certo grau de entendimento sobre seu transtorno. Podem ser trazidos pedidos como “quero que você fique tranquilo e me apoie", “me pegue no trabalho”, “por favor, não me julgue", “seja gentil comigo” ou “por favor, não minimize isso”.


Lembre-se sempre: dizer "se acalme" ou "não se preocupe" não ajuda muito. Se você não sabe o que dizer, simplesmente ouça e esteja presente para apoiar aqueles que são importantes para você.

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© 2020 por Rafael Resende